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Luiz Alberto Silveira

Cadeira nº: 

16

Patrono

Acadêmico Ayrton Roberto de Oliveira

Fundador, Membro Titular e 1º Ocupante

Acadêmico Ernesto Francisco de Oliveira

2º Ocupante

Acadêmico Luiz Alberto Silveira


Biografia

Há trajetórias que se escrevem não apenas pelo talento individual, mas pela capacidade de instituir caminhos onde antes havia ausência. A de Luiz Alberto Silveira é uma dessas histórias em que a vida pessoal se confunde com a edificação do bem público. Sua trajetória confunde-se com a história da consolidação da oncologia em Santa Catarina, especialmente no âmbito da saúde pública, da formação médica e da organização institucional dos serviços especializados no Estado.

Nasceu no dia 6 de agosto de 1948 em Florianópolis.

Estudou na Escola Particular Jurema Cavallazzi, na Escola Arquidiocesana São José e no Instituto Estadual de Educação.

Graduado em Medicina em 1973, exerceu desde a formação intensa atividade assistencial em hospitais públicos e instituições filantrópicas catarinenses, experiência que contribuiu decisivamente para a construção de uma visão humanista da prática médica. Cumpriu o serviço militar obrigatório como médico da Marinha, no Hospital Naval de Florianópolis, ainda no início de sua carreira profissional.

Após o serviço militar ingressou na vida pública estadual, sendo convidado a representar Santa Catarina junto à Divisão Nacional do Câncer, no Ministério da Saúde, em Brasília. Esse período marcou o início de sua dedicação à organização sistêmica da assistência oncológica. A Oncologia Clínica surgiu como desafio e chamado. Sob a inspiração de mestres e pioneiros, compreendeu que enfrentar o câncer exigia ciência, organização e coragem coletiva. Assim, ajudou a lançar as bases da oncologia clínica em Santa Catarina, integrando equipes, formando profissionais, abrindo portas onde antes havia silêncio.

Teve formação complementar internacional, realizando fellowship no Rotterdamsch Radio-Therapeutisch Instituut e Daniel Den Hoed Kliniek (Roterdam/Holanda), experiência que contribuiu para a incorporação de práticas modernas e integradas à oncologia catarinense.

Em 1979 obteve o título de especialista em cancerologia (área de oncologia clínica), no Brasil. Está registrado no Conselho Regional de Medicina/SC com RQE 128.

Sua inserção na gestão pública da saúde ocorreu precocemente, sendo convidado a representar o Estado de Santa Catarina junto à Divisão Nacional do Câncer, no Ministério da Saúde, em Brasília. Atuou na Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina, onde participou da implantação e estruturação do Programa Estadual de Prevenção e Controle do Câncer, contribuindo para a organização dos serviços oncológicos e para a formação de equipes multiprofissionais.

Foi responsável pela implantação do Programa de Prevenção e Diagnóstico Precoce do Câncer Ginecológico nas Unidades Sanitárias da Secretaria da Saúde /SC, em todo o Estado, além da reorganização e investimentos nos serviços de radioterapia e cirurgia e investimentos na construção da Unidade de Câncer Ginecológico da Maternidade Carmela Dutra de Florianópolis. Organizou a cito-escrutinação em oncologia e formou cito-escrutinadores os quais junto com profissionais da patologia, credenciados, formaram a primeira equipe de prevenção e diagnóstico precoce do câncer ginecológico, oficial de Santa Catarina.

Foi Superintendente Regional do INAMPS/SC, e um dos coordenadores da implantação do do Sistema Único de Saúde (SUS) e da Autorização da Internação Hospitalar (AIH). Foi Secretário de Saúde e Assistência Social de Florianópolis e Presidente do Instituto de Previdência do Estado de Santa Catarina (IPESC).

Foi Superintendente Técnico da Fundação Hospitalar de Santa Catarina tendo contribuído com a instalação dos hospitais regionais de Joinville e Chapecó e do Hospital Infantil Joana de Gusmão em Florianópolis.

No Hospital Governador Celso Ramos, em Florianópolis, foi presidente do Centro de Estudos, diretor técnico, coordenador do Serviço de Oncologia e coordenador do Programa de Residência Médica em Oncologia, exercendo papel na formação de especialistas e na consolidação da assistência oncológica hospitalar.

Foi professor do Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Santa Catarina.

Participou ativamente da implantação da Unidade de Câncer Ginecológico da Maternidade Carmela Dutra, bem como da organização de serviços de oncologia em hospitais regionais do Estado, contribuindo para a descentralização e ampliação do atendimento especializado em Santa Catarina.

Atuou como formador de médicos, integrando atividades de ensino, pesquisa e assistência, junto ao Centro de Pesquisas Oncológicas – CEPON, instituição da qual foi diretor e do Programa de Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia, sendo preceptor do Programa de Câncer Ginecológico.

No âmbito associativo, foi um dos fundadores da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) e da Regional Santa Catarina da entidade, da qual foi coordenador regional, participando ainda de diversas gestões nacionais, incluindo a presidência da Comissão de Ética, Vice-presidente de Assistência Médica e Conselheiro Fiscal.

É membro efetivo da Sociedade Brasileira de Cancerologia, da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica e da Sociedade Brasileira de Mastologia (cofundador da regional em Santa Catarina). Foi fundador e primeiro presidente do Departamento de Cancerologia da Associação Catarinense de Medicina (ACM), Foi Delegado Titular da ACM.

Organizou e implantou o Serviço de Oncologia da Casa de Saúde São Sebastião (Florianópolis) e da UNIONCO – Unidade de Oncologia do Hospital Nossa Senhora da Conceição em Tubarão/SC. É fundador da Oncologia Clínica Florianópolis onde exerceu a especialidade de Oncologia Clínica por 50 anos (atual consultor técnico).

Presidiu o Congresso Brasileiro de Oncologia Clínica, participou de mesas redondas no Brasil e publicação de estudos científicos no Brasil e exterior. É autor de livros técnicos em Oncologia Clínica e capítulos de livros na especialidade.

Paralelamente à atividade médica, dedicou-se à produção intelectual, publicando obras que dialogam com a ciência, a educação e a linguagem, compreendendo a escrita como extensão do compromisso ético com a formação humana (tem 20 títulos publicados, no Brasil e um no Canadá) com ênfase ao “Retratos Pandemia 2020”, que concorreu ao Prêmio Jabuti).

Recebeu o Diploma de Honra ao Mérito da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, do Serviço de Oncologia Clínica de Campinas/São Paulo, como reconhecimento pelos relevantes serviços prestados à medicina brasileira, especialmente na área da oncologia clínica e do Conselho Regional de Medicina do Estado de Santa Catarina por serviços prestados ao Estado. Recebeu medalhas e homenagens nacionais, estaduais e municipais.

Paralelamente à Medicina, cultivou a escrita como forma de reflexão e partilha, publicando obras que aproximam ciência, linguagem e sensibilidade humana, compreendendo que o cuidado também se exerce pela palavra.

É Membro Titular da Academia Catarinense de Letras, cadeira número 35 e da Academia de Medicina do Estado de Santa Catarina, cadeira número 16, tendo sido seu presidente.

A contribuição do Acadêmico Luiz Alberto Silveira ultrapassa o exercício de cargos e funções. Seu legado reside na construção de estruturas institucionais, na formação de profissionais e na consolidação de uma cultura médica pautada pelo rigor científico, pela responsabilidade social e pelo respeito à dignidade humana — valores que se harmonizam plenamente com os princípios da Academia de Medicina do Estado de Santa Catarina.

Seu legado também permanece nas instituições que ajudou a criar, nos profissionais que formou e na ideia, por ele sempre defendida, de que a medicina é, essencialmente um exercício ético de responsabilidade com a vida.

Sua história confunde-se com a própria história da oncologia clínica em Santa Catarina.

É um dos embaixadores do Programa Médico sem Fronteiras no Brasil e considerado Embaixador da Rede feminina de Combate ao Câncer de Florianópolis. Participa ativamente de atividades filantrópicas.

“Ensinei, orientei, coordenei. Formei médicos, ajudei a formar serviços, contribuí para que a oncologia catarinense se tornasse referência. Participei de sociedades científicas, fundei regionais, servi à ética e à construção coletiva da medicina brasileira. Recebi honrarias, diplomas, reconhecimentos — mas o que permaneceu foi o essencial: o encontro com o paciente, o diálogo com os colegas, a certeza de que a medicina é, antes de tudo, um exercício de humanidade organizada.

Hoje, ao olhar o caminho, vejo que minha história não é apenas minha. Ela é feita de mestres, companheiros, pacientes, instituições e afetos. É a história de alguém que escolheu cuidar — e, ao cuidar, foi também sendo transformado”.

Luiz Alberto Silveira
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